A IMPORTÂNCIA DAS FIBRAS NA DIETA DOS EQUINOS

Um mínimo de aporte alimentar de fibras é indispensável ao cavalo a fim de assegurar, ao mesmo tempo, uma perfeita higiene mental, uma fonte de lastro (ligada à porção indigestível que garante a limpeza digestiva) e um aporte energético.

É fundamental ter em mente que o cavalo é um animal herbívoro, que se alimenta especialmente de vegetais, normalmente chamados de volumosos, ou simplesmente “verde”.

Para preservar o equilíbrio psicológico e neurovegetativo do cavalo, é importante a manutenção de uma quantidade mínima de 05 kg de Matéria Seca (alimento sem água) por dia por animal (de 500 kg), em manutenção. A ocupação alimentar é para o cavalo um fator de tranqüilização. Por isso as fibras, que aumentam a duração da ingestão e da digestão dos alimentos, são tão importantes para a integridade do cavalo.

O aparelho digestivo do cavalo possui particularidades onde são exigidos altos teores de fibras na dieta para que ele possua uma ótima digestão.

Em primeiro lugar, o estômago do cavalo é relativamente pequeno em relação ao restante do aparelho digestivo, o que o obriga a se alimentar por longos períodos (cerca de 18-19 h por dia) em regime de pastagem. A capacidade estomacal é de apenas 9% do volume total, isto é, se o volume total do aparelho digestivo tiver capacidade para 130 litros (média para um cavalo de 500 kg), o estômago terá capacidade para apenas 12 litros de alimento, incluindo sucos gástricos, gases e o próprio alimento. Esta “pequena” capacidade do estômago limita consideravelmente a ingestão de concentrados (rações) que não possuem as denominadas fibras longas, essenciais ao bom funcionamento do aparelho digestivo do cavalo.

As rações concentradas, devido às suas características, principalmente de fibras mais curtas, são digeridas principalmente no estômago e porções iniciais do Intestino Delgado, tendo um baixo aproveitamento nas porções finais do aparelho digestivo (ceco e cólon).

O limite de ração na dieta é de 2,5 kg por refeição, sendo o ideal ao redor de 1,5 a 2,0 kg. Havendo necessidade de complementar a dieta com volume superior, devemos administrar em várias refeições ao dia (ex.:para 6,0 kg diários, são necessárias 03 a 04 refeições; havendo necessidade de um maior volume de ração, devemos fracionar mais ainda ou procurar rações de melhor qualidade), para evitar quadros de cólicas, tão traumáticos para o animal.

As necessidades de fibras longas na alimentação do cavalo são especialmente para o bom trânsito do alimento através do aparelho digestivo. Fibras longas são aquelas provenientes de volumosos não triturados em pequenas porções, isto é, para uma boa digestão do cavalo, devemos administrar o alimento na forma mais natural possível.

O efeito de lastro das fibras possui uma relação inversa à sua digestibilidade. As fibras indigestíveis estimulam o peristaltismo (movimento de alças intestinais), contribuindo fortemente para evitar indigestões e autointoxicações.

Os alimentos volumosos têm sua digestão essencialmente na porção final do aparelho digestivo (ceco e cólon), local denominado de câmara de fermentação, pois é onde ocorre uma ação mais intensa da flora intestinal, digerindo o volumoso, aproveitando mais intensamente seus nutrientes (Ácidos Graxos Essenciais – fonte energética -, proteínas e minerais). A quantidade e a qualidade das fibras na alimentação do cavalo é determinante para o bom funcionamento deste órgão digestivo, cuja capacidade é de 70% do volume total (90 litros para um cavalo de 500 kg).

A consistência das fezes do cavalo, principal indicador da saúde digestível do animal, está diretamente ligada ao teor de fibra na alimentação.

Capins muito novos, recém rebrotados ou plantados, normalmente provocam quadros de diarréias leves devido aos baixos teores de fibra em sua composição. O mesmo ocorre com uma alimentação muito rica em concentrado (rações, milho, trigo, etc., superior a 50 % da dieta total), onde as fezes ficam semelhantes às de vaca, pastosas, sem consistência firme, indicando um baixo aproveitamento dos alimentos.

Por outro lado, volumosos muito secos também podem causar quadros de desconforto digestivo devido a uma aceleração exagerada do peristaltismo, devido ao elevadíssimo teor de fibras indigestíveis na dieta.

Uma boa consistência de fezes, nem pastosas nem ressecadas, indica que o alimento ficou tempo suficiente no aparelho digestivo para ter seus nutrientes aproveitados ao máximo pelo animal.

É sempre conveniente ajustar os aportes alimentares em fibras quanto à sua taxa e natureza, para assegurar conjuntamente uma boa digestibilidade e uma excelente higiene digestiva.

As taxas são variáveis em função da categoria em que se encontra o animal: reprodução, crescimento, trabalho ou manutenção.

Os alimentos industriais (rações concentradas) são relativamente pobres em celulose (fibras) e devem ser considerados como um complemento das forragens volumosas.

As necessidades mínimas de fibra bruta são estimadas em 15 a 18% da dieta total.

Cada categoria possui necessidades diferentes, sendo algumas mais exigentes que outras. Para se suprir estas necessidades, não é possível a utilização exclusivamente de volumosos, pois a capacidade de ingestão do cavalo é inferior às suas necessidades, devido ao alto grau de especialização e seleção que o homem impôs ao cavalo. Por isso é que devemos utilizar as rações concentradas para complementar as necessidades do cavalo.

Esta complementação não deve ultrapassar 65% do volume total de alimento ingerido por dia por animal, e deve ser adequada às suas reais necessidades.

Lembramos que a relação volumoso/concentrado deve variar conforme a qualidade do volumoso e também do concentrado: quanto melhor a qualidade de um, menor será a quantidade de outro. Devemos sempre priorizar um concentrado de melhor qualidade para que possamos reduzir consideravelmente sua quantidade.

André Galvão Cintra
Consultoria Nutricional Eqüina
Médico Veterinário
CRMV SP 6765

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